Nana Paradise

Não sei se as coisas aconteceram realmente assim, mas é desta forma que me lembro delas.
Eu tinha sete anos de idade quando o meu avô faleceu. Eu era realmente doida por ele tanto que até hoje fica difícil lembrar sem que me encham os olhos d´água.
Enfim, eu fiquei realmente muito triste e não me interessava por muita coisa. Pelo que bem me lembro nesta época meu pai chegou um dia e me mostrou uma máquina fotográfica, era uma Kodak, com um filme preto e branco. Foi a primeira coisa pela qual realmente me interessei e papai me presenteou com a câmera.
De lá pra cá sempre tive uma máquina fotográfica a tira colo. A tira colo mesmo, sou dessas pessoas que tem sempre uma câmera na bolsa.
Foi justamente por isso que perdi a última câmera dessas que usava filme que possuí. Era uma Pentax maravilhosa, fiz fotos esplêndidas com ela. Infelizmente quando furtaram-me a bolsa ela foi junto, levando ainda sem revelar as fotos de um passeio com as colegas da faculdade.
Finalmente chegada à era digital me vi liberta dos rolos de filmes e das dispendiosas revelações. Sim, pois na quantidade que costumo produzir fotos as revelações iam pesando no orçamento. Mas a maior vantagem era que além de poder ver as fotos tão logo eram tiradas não havia limitação alguma com relação à quantidade.
Daí vieram inúmeras experiências. Em algumas delas os pés acabavam aparecendo. Noutra usei os pés para dosar a incidência dos raios de sol, com o objetivo de que a quantidade fosse tal que tornasse capaz que aparecessem na fotografia. Em algumas tentativas ficou tudo claro demais e em outras os raios não apareciam, mas finalmente obtive o resultado esperado.
Naquela época eu já alimentava diariamente um fotolog e acabei publicando lá esta experiência.
Em algumas outras oportunidades os pés também foram usados como cobaia e acabaram indo parar no fotolog, não pelos pés em si, mas sim pela fotografia.
No perfil do fotolog havia o meu msn e em uma ocasião diversas pessoas começaram a me adicionar e elogiar as fotos dos pés. Confesso que naquela oportunidade não entendi o que havia neles.
Uma conversa que se repetiu inúmeras vezes com pessoas diversas. Eu recebia o link de uma foto do arquivo do fotolog com o elogio, geralmente algo como “linda essa foto” ou “adorei uma foto sua que vi”. Ao abrir o link me espantava por constatar que eram fotos dos meus pés, mesmo assim agradecia e a coisa ficava por aí.
Confesso que as primeiras pessoas com quem conversei a respeito dos meus pés foram extremamente desagradáveis. A maioria eram homens deselegantes que movidos pelo tesão acabavam sendo grosseiros. Além de nada me esclarecerem com relação à podolatria. Eram prontamente bloqueados.
A minha aventura de ser Nana Paradise teria morrido antes mesmo de começar se dependesse do contato que mantive com os primeiros podólatras que conheci.
Felizmente nada disso se deve a eles e sim à minha paixão por fotografia.