
Vendo você assim tão vulnerável, senti pena...
Peguei uma toalhinha pequena, dessas de rosto, mesmo assim era enorme pra você. Pesada demais para que você fosse capaz de se secar sozinho. Segurei com os dedos pendurada de forma que você pudesse de se secar sem suportar o peso. Fazendo tal manobra percebi a dificuldade que seria cuidar de você.
Se uma coisa simples como secar o corpo após o banho era uma manobra complexa, como seria dali pra frente?
Vc estava seco sobre a pia do banheiro e me olhou... sua cabeça se ergueu com uma criança que observa um arranha céu pela primeira vez...
Era isso que eu parecia para vc... Um gigante.
Perguntei se vc tinha fome...
Desolado, respondeu-me que sim apenas com um aceno de cabeça.
Falei:
- Mas vc não pode ir jantar pelado... Vai morrer de frio e eu não tenho roupa do seu tamanho... Bom, melhor vc se enrolar no lenço.
Fui até o quarto e peguei mais um lencinho e uma tesoura. Voltei para o banheiro. Medi vc e cortei o lenço. Um buraquinho no meio foi suficiente para passar a sua cabeça, como um poncho. Uma tirinha fina serviu de cinto, pronto. Estava vestido. E parecia mesmo que usava um vestido...
Kkk
Coloquei minha mão sobre a pia e mandei que vc subisse.
Vc praticamente não pesava nada, se eu fechasse a mão seus ossos seriam esmagados sem esforço algum. Na verdade tenho é que tomar cuidado para não matar vc mesmo sem querer.
Na palma da minha mão fomos até a cozinha.
Abri a geladeira e perguntei o que vc queria comer... Daí me dei conta do tamanho que a comida tinha para vc... Abri o armário e peguei um pires de cafezinho... O menor. Na caixa de costura, um dedal serviria de copo. Coloquei no pires algumas migalhas de bolo de fubá, um pedacinho de abacaxi, uma raspinha patê de presunto, outra de queijo, e um pedacinho de pão. No dedal, suco de laranja. Sentei e coloquei vc em cima da mesa.
Você não comeu nem metade do que havia no pires. Mas o suco bebeu todo.
Logo que terminou peguei vc na minha mão e fomos para meu quarto. Lá peguei uma caixinha de sapatos, tirei o escarpin que estava guardado, acomodei um cachecol lá dentro e falei.
_ Hoje vc dorme aqui, amanhã eu vejo o que faço contigo, mas por nada saia sozinho pq eu tenho três gatos aqui em casa.
Coloquei dentro da caixinha também uma xícara de cafezinho e avisei:
_Pequenininho, se precisar use a xícara como penico, boa noite.
Coloquei a tampa na caixinha e guardei no armário.
Deitei na cama e demorei a dormir relembrando tudo de inusitado que aconteceu nas ultimas horas...
No dia seguinte, acordei e ao abrir os olhos já me lembrei da caixinha e pulei da cama. Será que foi um sonho?
Abri o armário e fitei a caixinha. Delicadamente abri a tampa e lá estava vc, ainda deitadinho enrolado no cachecol, era verdade.
Sorri
Me senti como uma menina que ganha uma boneca nova. Apesar de já ter passado da idade de brincar de boneca, me encantou ver meu brinquedo novo.
Falei:
_Bom dia Pequenininho, hora de acordar!
Era sábado e eu não tinha nenhum compromisso, iria passar o dia todo em casa com vc.
Peguei vc e levei para o banheiro, levei a xícara também.
Deixei vc sobre a pia com a xícara, tirei a roupa e entrei no banho.
O PEQUENINO FALA:
Lembro-me que estava recebendo meus primeiros convidados para o vernissage, quando comecei a me sentir mal. Fui até o banheiro para lavar o rosto, ficando tonto e derrepente senti uma vontade louca de vomitar, logo que entrei no reservado tive certeza que ia desmaiar e puf! Desapareci dentro das minhas roupas.
Levei muito tempo para me desvencilhar de tanto pano.
Foi quando me deparei com uma coisa louca, o banheiro estava enorme, o cesto de lixo era do tamanho de um prédio.
Ouvi meu nome sendo chamado. Corri e me escondi atrás do cesto de lixo. Logo vi muitas pessoas que conhecia, mas elas estavam enormes, gigantescas mesmo. Chamei alguns nomes, mas ninguém me ouviu, tentei seguir as pessoas até o salão, quase fui pisoteado. Voltei correndo para traz do cesto de lixo e lá fiquei até que ouvi a voz da minha querida Nana.
Ela vinha conversando com Rochelle, minha mecenas. Rapidamente Nana se livrou de Rochelle e me fez entrar na sua bolsa. Não acreditei que ela foi a única pessoa que me viu.
Dentro da bolsa comecei a pensar no que estava se passando comigo e no quanto era irreal tudo aquilo, mas logo percebi o quanto à bolsa de uma mulher pode ser perigosa. Vocês não tem idéia o quanto pode ser dolorido quando uma chave de carro bate em vc... Mas logo a Nana, percebendo o perigo que eu corria, me enrolou num lenço e me acomodou num bolsinho onde estava seu celular. Eu estou menor que o celular dela, pensei.
E ali, pelado, enrolado num lenço, dentro da bolsa da mulher que eu desejava tanto comecei a me acalmar e então percebi que meu corpo estava gelado. Devia estar uns 12 graus lá fora. O que será que ela faria comigo? O que havia acontecido comigo? Eu vou morrer? Eu vou morrer! Eu já morri! Eh isso! Eu morri! Eu estou louco... Eh impossível isso que está acontecendo... Não existe ser humano pequeno como eu. Só duendes, mas duendes não existem. Eu não sou duende.... Inferno! O que está acontecendo comigo??? E a bolsa chacoalha. Ui, começa a voltar o enjôo que eu estava sentindo antes. Antes de morrer, de virar duende, de enlouquecer, de ser uma aberração.
Ugooooooooo
Vomitei
Vomitei em mim, no lenço, acho que foi pq to chacoalhando dentro da bolsa...
Mas eu nem sei pq to pequeno assim, como vou saber pq vomitei?
Ela me tirou da bolsa. Estávamos dentro do carro.
Nossa, como são lindos seus olhos... E grandes!
Será que sempre foram ou sou eu quem vê o mundo assim agora>
Derrepente algo aterrorizante veio a minha mente... Será que ela tinha raiva de mim por todas as coisas que já fiz?
Ela vai me matar!
Meu corpo já estava roxo.
Ela falava comigo, mas o terror tomou conta.
Minutos depois chegamos à casa dela.
Eh agora que ela vai me matar, pensei.
Que nada. Colocou-me em cima da mesa da sala. Chegou com a sua boca (enorme) perto de mim e falou que ia me dar banho pra eu não morrer de fio...
Como eu vou dizer não pra ela? Ela me pegou. Eu senti meu corpo todo dentro das mãos daquela mulher gigante e só podia pensar “espero que ela não aperte, espero que ela não me derrube”
Me colocou sobre a pia do banheiro. A escova de dentes dela é um pouco menor que um poste de luz!
Fiquei parado bestificado olhando tudo que havia sobre a pia...
Ela me pegou mais uma vez e me colocou delicadamente dentro da água quentinha... Senti que meu corpo estava voltando à vida e percebi também que ela não ia me matar.
Ela estava carinhosamente cuidando de mim... E eu nem merecia! Ela me deu um sabonete. Na verdade uma lasca que tirou com a unha... E aquilo era sabonete para uns dez banhos meus...
Ela falou que eu estava fedendo, morri de vergonha. Mais vergonha ainda de estar pelado na frente dela. Me encolhi todo de costas, ela percebeu e achou graça. Eu pelado na pia e ela rindo de mim, depois me mandou virar de frente. Morri de vergonha ainda mais. Mesmo assim me virei, mas foi pior, ela olhou pro meu pinto e riu mais ainda. O estranho é que me sentindo humilhado como estava fiquei excitado...
Ela continuou rindo.
Me ajudou com a coisa de me secar...
Depois ela resolveu me vestir, pegou um pano, fez um furo no meio e amarrou uma tira na minha cintura. Fez tudo com muito cuidado e carinho até, mas me colocou um vestido. Eh isso, eu tava com aquele mulherão e de vestido. Bom, melhor do que pelado pra ela rir do meu pinto, pensei. Ledo engano, ela riu de mim mais uma vez... Falou que eu parecia uma bonequinha... Que humilhação!
Daí ela toda gentil fala que vai me dar de comer e me faz subir na mão dela. É apavorante ficar nas mãos de uma pessoa, tentando se equilibrar... Sentei e ela me segurou firme, firme demais, depois soltou um pouquinho e eu já estava na mesa da cozinha.
Meu deu comida, uns tecos só, mas nem dei conta de comer tudo. Tomei quase um balde de suco de laranja num daqueles negócios que a avó da gente usa no dedo para costurar. Tive que usar as duas mãos para segurar.
Ela colocou um monte de panos numa caixa de sapato e me botou pra dormir lá. Colocou também uma xícara no canto e falou que era pra eu usar para as minhas necessidades. Foi bom pq depois do balde de suco que tomei a noite precisei me aliviar logo cedo.
Fiquei acordado deitado lá esperando pra ver o que ia acontecer... Depois de esperar um tempão ela abiu a caixa.
Eu já ia começar a reclamar dela me trancar numa caixa de sapatos mas daí entendi o motivo. Não é que a louca tem três gatos dentro de casa mesmo? Ontem ela falou alguma coisa sobre gatos mas eu nem achei que era sério. E eu que já não gostava de gatos quando podia chutá-los, imagine agora que posso ser comido por um deles... Achei melhor não falar nada disso de chutar gatos pra ela. Melhor não ofender a mulher que tem o tamanho de um edifício.
Ela me pegou com uma mão e a xícara com a outra. Ainda olhou dentro e falou em voz alta “humm fez xixi”.
Me largou sobre a pia deixando a xícara com o meu xixi ao meu lado. Ela ligou o chuveiro, tirou a roupa e entrou no banho. Minha nossa, se isso fosse ontem quando eu tinha o tamanho normal eu ia agarrar aquela mulher. Mas agora? Não consigo sair de cima da pia sozinho e não sou maior que um dedo dela... Foi a primeira vez que fiquei sozinho com uma mulher pelada e não fui capaz de fazer nada... Pelo menos não com ela! Fiquei sentado sobre o que parecia um porta jóias espiando ela tomar banho pela fresta da cortina do box. Ela canta quando toma banho...
(... continua)
