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Era uma fria noite de outono em Curitiba, o havia sido extremamente cansativo no escritório e apesar da vontade de voltar cedo para casa eu ainda tinha um compromisso que não poderia faltar.
Era o lançamento de um livro de uma das pessoas que mais me desagrada, mas como estava certa de que lá haveriam alguns amigos para me socorrer, acabei me consolando.
Sai mais cedo do escritório e passei no salão para dar um jeito no meu cabelo, porque apensar do que os homens pensam eu não me arrumo pra eles e sim para mim mesma. Já que tinha mesmo que ir queria que ao menos eu estivesse perfeitamente bem comigo mesma.
Esclareço que a pessoa que estava lançando o tal livro não e das que eu mais gosto neste mundo, mas existem alguns compromissos sociais que a gente simplesmente se vê obrigados a ir, paciência.
Ao chegar ao local percebi que não havia serviço de Valet ou estacionamento perto o que me deixou bastante contrariada, pois não gosto de estacionar meu carro na rua, nem ter que andar pelas ruas do centro da cidade a noite sozinha. Respirei fundo e pensei que estava tudo mesmo do meu desagrado. Consegui uma vaga a uma quadra do local numa viela escura, pensei: se eu sair e ainda tiver carro já posso computar a noite como positiva.
Chegando ao local, apresentei o meu convite, sim porque aquele chato simplesmente fez questão de me mandar um convite para o evento e acompanhado com um bilhetinho escrito de próprio punho com os seguintes dizeres: CONTO COM A SUA PRESENCA, MINHA LINDA, BEIJOS ANTONIO.
Eca!
Mas qual não foi a minha surpresa quando ao entrar no salão percebi um clima de total comoção entre os presentes. Não é que o tal Antônio simplesmente havia desaparecido durante o vernissage... Desaparecido em circunstâncias muito estranhas. Suas roupas foram encontradas amontoadas no reservado do banheiro.
Aonde ele foi pelado? era o que todos perguntavam.
O banheiro ficava do lado oposto a porta que dava acesso à rua, portanto seria impossível que o idiota tivesse atravessado o salão lotado completamente nu sem ser percebido.
A possibilidade que ele estivesse completamente nu dentro do prédio me divertiu, ainda mais porque a multidão comovida estava em pânico imaginando coisas das mais absurdas.
Fui até o banheiro pra ver onde foram encontradas as roupas do traste, acompanhada por uma senhora daquelas que usa tanto laquê no cabelo que parece estar de capacete (pq as pessoas fazem isso com si mesmas? , enfim...)
Banheiro masculino normal, duas pias, mictórios e dois reservados...
Ela apontou para a base do vaso sanitário e disse que bem ali encontraram as roupas do Antonio emboladas no chão como se o corpo dele tivesse virado fumaça.
Era mesmo uma coisa muito estranha...
Mas neste momento alguma coisa me chamou a atenção ao lado do cesto de lixo. Chequei a pensar que era um rato, mas não era... Era o Antonio só que em miniatura, pelado.
Nas minhas costas a tal senhora não parava de falar. Subitamente a interrompi. Precisava tira-la dali o mais rápido possível.
Falei em tom de urgência. “O Antonio deve ter sido seqüestrado, a senhora tem que chamar a policia agora mesmo a fim de que tirem as impressões digitais do banheiro. Corra, eu fico aqui para garantir que ninguém mais toca em nada.”
A velha saiu gritando e me vi sozinha com aquela coisa...
Agachei-me pra olhar direito e ter certeza que meus olhos não estavam me pregando uma peça.
Era verdade, por mais absurdo que pudesse parecer, era verdade. O Antonio tava nu ao lado do cesto de lixo, mas em miniatura, apavorado.
Não tive dúvidas, abri a minha bolsa e falei pra ele:
“entre aqui pq se alguém ver vc desse jeito vai te dissecar num laboratório. Eu cuido de vc.”
Apesar da minha intenção ser outra era verdade o que eu estava falando pois o que fariam as pessoas se encontrassem um ser humano (?kkk)) com 10 cm de altura?
O Antonio entrou rapidamente na minha bolsa...
Aproximei meu rosto para ouvir o que ele dizia. Ele estava com frio, tava roxinho coitado. Enrolei a coisinha no meu lenço dentro da bolsa. Já ouvindo uma multidão entrando no banheiro.
Todos queriam saber se ele havia mesmo sido seqüestrado.
Já reparou que nessas ocasiões a multidão sempre fica estúpida? É só alguém ter voz de comando que faz o que deseja.
Respondi apenas que se ele não atravessou o salão pelado alguma coisa muito grave deveria ter acontecido, que eles deveriam chamar a policia e relatar o ocorrido para que todas as providências necessárias fossem tomadas.
Saímos todos do banheiro.
Falei para as pessoas que infelizmente não poderia ficar lá, pois tinha que me levantar cedo e que eu havia comparecido apenas para dar um abraço no artista. Pedi que me infirmassem logo que tivessem notícias do ocorrido.
Neste momento muitas pessoas também já estavam deixando o local, lá permanecendo apenas os amigos mais chegados e os parentes, ou seja, muito pouca gente.
Caminhei rapidamente até o carro, sem me importar com a escuridão, o frio, nem nada, queria era colocar logo o carro em movimento. Não acreditava no que tinha dentro da bolsa. Tinha que sair dali e chegar em casa logo pra analisar a coisa com calma.
Não resisti.
Ao entrar no carro logo abri a bolsa e tirei o mini Antonio de dentro da bolsa. Coloquei-o no porta copos enrolado, ainda, no lenço...
Não acreditava que aquela pessoa que tanto me irritava, que aproveitava todas as oportunidades para me perturbar, me assediar estava ali completamente vulnerável e numa situação absurdamente irreal.
Em poucos minutos cheguei em casa.
Logo que entrei já sabia o que iria fazer. Iria manter o mini Antonio sob os meus cuidados caso a situação fosse irreversível.
Deveria ser, pois tão absurdo quando um ser humano ficar com 10 cm de altura era ele voltar ao tamanho real.

Logo que entrei em casa coloquei o mini em cima da mesa e vi que seu corpo não havia esquentado muito. Falei: “pequenininho, vou te dar um banho pra vc se esquentar antes que morras de frio”.

Vc relutou a princípio, mas sabia que poderia até morrer se seu corpo não começasse a esquentar...
Rapidamente entrei no banheiro e liguei a água da pia que em pouco tempo ficou quentinha. Peguei vc e neste momento constatei o quanto vc estava pequeno e vulnerável. Vagarosamente coloquei vc dentro da água. Tampei a pia que logo ficou com 7 cm de profundidade.
Seu corpo voltou à cor normal.
Cheguei a pensar que vc ia morrer... Vc tbém deve ter pensado a mesma coisa, pois me olhou aliviado depois de aquecido.
Raspei a unha no sabonete que estava sobre a pia e entreguei a vc a lasquinha falando: “aproveite que está na água e se lave, vc está com um cheiro estranho pacas”.
Envergonhado vc começou a se lavar de costas.
Não pude conter o riso ante o seu pudor.
Naquela situação vc que até outro dia me infernizava para ter qualquer tipo de intimidade comigo, estava se escondendo. Obviamente que não deixei de comentar:
“ Nossa, vc que fazia de tudo pra ficar a sos comigo a fim de tirar uma casquinha, agora ta se escondendo? Ah fica de frente... quero ver o corpaço que vc disse que tinha. Agora pode me mostrar kkk.
Vc se negou.
Cheguei com o rosto mais perto e falei: “se vira sozinho se naum eu te viro.”
Timidamente vc se virou de frente usando as mãos para se cobrir...
Determinei: “Abra os braços”
Vc abriu. E eu: “Nossa, mas o que é isso? Ele é menor do que a unha do meu dedo minguinho kkk
Neste momento, pelado na pia do meu banheiro vc teve consciência da sua situação, ou seja, estava totalmente a minha mercê e eu tinha coisas demais para ir a forra...

(continua...)

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